O barão Georg Heinrich von Langsdorff foi um médico alemão naturalizado russo que viveu no Brasil cerca de 20 anos, inicialmente como Cônsul Geral da Rússia no Rio de Janeiro e depois como naturalista. Apaixonado pelo país, assumindo o ideário iluminista e incentivado pelos interesses comerciais da Rússia no Brasil, Langsdorff empreendeu uma extensa viagem de documentação do país no Século XIX.
A expedição Langsdorff atravessou os sertões brasileiros por mais de 16.000 km e por sete anos, de 1821 a 1829. Com a declaração da independência do Brasil em 1822, as nações européias viram a oportunidade de conhecer a riqueza do Brasil e expandir o comércio com a nova nação, até então rigidamente controlada pelo império português, por meio de embargo comercial imposto pelo governo de Dom João VI. A expedição teve o apoio do Imperador Dom Pedro I e do Czar Alexandre I da Rússia.
Composta de diversos naturalistas, documentou com método científico as vilas e cidades do interior do país, costumes e belezas naturais, constituindo-se em um verdadeiro mapeamento de uma parte do país ainda pouco documentada. A expedição passou pelos atuais estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Amazonas e Pará.
Convento de Capuchinhos em Santos, 1825 Participaram da expedição os pintores Johann-Moritz Rugendas, Aimé-Aiden Taunay e Hércules Florence, o astrônomo/cartógrafo/geógrafo Néster Rubtsov, o zoólogo Edouard Ménétriès e o botânico Ludwig Riedel.
Aimé-Aiden Taunay era filho de Nicolas-Antoine Taunay, membro da Missão Artística Francesa de 1816 e entrou na Expedição Langsdorff em 1825 para substituir Hércules de Florence. Taunay faleceu durante a viagem ao se afogar em 1928 no rio Guaporé, na fronteira com a Bolívia.

O pesquisador russo Boris Komissarov, da Universidade de São Petersburgo, escreveu o estudo Expedição Langsdorff: Acervos e Fontes Históricas (São Paulo: UNESP, 1998), com uma análise das fontes escritas, iconográficas e cartográficas da Expedição Langsdorff, firmando sua importância como fonte de pesquisa histórica no Brasil.
Índios Munduruku, Pintura de Hércules Florence, 1828
- Câmara Brasil-Rússia/CCBB: Expedição Langsdorff
- Wikipedia: Expedição Langsdorff
- AMBRIZZI, Miguel Luiz. Entre olhares – O romântico, o naturalista. Artistas-viajantes na Expedição Langsdorff: 1822-1829. Rio de Janeiro, v.III, n. 4, out. 2008. Disponível em: .
- RUGENDAS, Johann-Moritz; TAUNAY, Aimé-Aiden Taunay; e FLORENCE, Hércules. Expedição Langsdorff ao Brasil, 1821-1829: Rugendas, Taunay, Florence. Edições Alumbramento, 1998.
Pintura de Adrien-Aimée Taunay
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1 comentário
Edgardm disse:
25 de novembro de 2010 em 16:01 (UTC -4)
E pensar que no final da viagem o Barão Langsdorff, após várias "febres tropicais" já não tinha saúde e voltou à Europa senil, sem se lembrar de ter algum dia estado no Brasil.