«

»

nov
25

História: a Expedição Langsdorff

Georg Heinrich von Langsdorff
Retrato feito por Hércules Florence, 1928

O barão Georg Heinrich von Langsdorff foi um médico alemão naturalizado russo que viveu no Brasil cerca de 20 anos, inicialmente como Cônsul Geral da Rússia no Rio de Janeiro e depois como naturalista. Apaixonado pelo país, assumindo o ideário iluminista e incentivado pelos interesses comerciais da Rússia no Brasil, Langsdorff empreendeu uma extensa viagem de documentação do país no Século XIX.

Rio Cubatão perto de Santos. 1825
Pintura de Adrien-Aimée Taunay

A expedição Langsdorff atravessou os sertões brasileiros por mais de 16.000 km e por sete anos, de 1821 a 1829. Com a declaração da independência do Brasil em 1822, as nações européias viram a oportunidade de conhecer a riqueza do Brasil e expandir o comércio com a nova nação, até então rigidamente controlada pelo império português, por meio de embargo comercial imposto pelo governo de Dom João VI. A expedição teve o apoio do Imperador Dom Pedro I e do Czar Alexandre I da Rússia.

Mapa da Expedição Langsdorff, por Regina Machado

Composta de diversos naturalistas, documentou com método científico as vilas e cidades do interior do país, costumes e belezas naturais, constituindo-se em um verdadeiro mapeamento de uma parte do país ainda pouco documentada. A expedição passou pelos atuais estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Amazonas e Pará.

Convento de Capuchinhos em Santos, 1825

Vestimentas de São Paulo, pintura de Adrien-Aimée Taunay, 1825

Participaram da expedição os pintores Johann-Moritz Rugendas, Aimé-Aiden Taunay e Hércules Florence, o astrônomo/cartógrafo/geógrafo Néster Rubtsov, o zoólogo Edouard Ménétriès e o botânico Ludwig Riedel.

Aimé-Aiden Taunay era filho de Nicolas-Antoine Taunay, membro da Missão Artística Francesa de 1816 e entrou na Expedição Langsdorff em 1825 para substituir Hércules de Florence. Taunay faleceu durante a viagem ao se afogar em 1928 no rio Guaporé, na fronteira com a Bolívia.

Vista de Santarém sobre o rio Tapajós, pintura de Hércules Florence, de 1828


Índios Apiaká no rio Arinos, 1828
Pintura de Hércules Florence


Todo o material coletado nas viagens foi enviado à Academia de Ciências de São Petersburgo, onde permanece até hoje.

Dois diários da expedição foram publicados: um em 1875, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro recebendo o título de “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas – 1825- 1829”, de autoria de Florence e outro de autoria de Langsdorff, em 1997, pela Editora Fiocruz, após ter permanecido desaparecido por quase um século nos arquivos do Jardim Botânico de São Petersburgo.

Índio Bororo, pintura de Hércules Florence, 1827

O livro Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829 de Hércules Florence, também foi publicado pelo Senado Federal (2008) e está disponível para compra online no site daquela casa.

Habitação de Negros, pintura de Johann Moritz Rugendas

O pesquisador russo Boris Komissarov, da Universidade de São Petersburgo, escreveu o estudo Expedição Langsdorff: Acervos e Fontes Históricas (São Paulo: UNESP, 1998), com uma análise das fontes escritas, iconográficas e cartográficas da Expedição Langsdorff, firmando sua importância como fonte de pesquisa histórica no Brasil.

Índios Munduruku, Pintura de Hércules Florence, 1828
Para saber mais:
  • Câmara Brasil-Rússia/CCBB: Expedição Langsdorff
  • Wikipedia: Expedição Langsdorff
  • AMBRIZZI, Miguel Luiz. Entre olhares – O romântico, o naturalista. Artistas-viajantes na Expedição Langsdorff: 1822-1829. Rio de Janeiro, v.III, n. 4, out. 2008. Disponível em: .
  • RUGENDAS, Johann-Moritz; TAUNAY, Aimé-Aiden Taunay; e FLORENCE, Hércules. Expedição Langsdorff ao Brasil, 1821-1829: Rugendas, Taunay, Florence. Edições Alumbramento, 1998.

Cachoeira do Inferno Atual – Véu de noiva, Distrito de Chapada
Pintura de Adrien-Aimée Taunay

Posts relacionados:

    -História: a arte de Rugendas no Brasil
    -Turismo: Roraima, paraíso inexplorado
    -Do Caburaí ao Chuí
    -Cultura: Grafite, uma história em Boa Vista
    -Projeto Crescer: ex-menino de rua domina a arte da pintura

1 comentário

  1. Edgardm disse:

    E pensar que no final da viagem o Barão Langsdorff, após várias "febres tropicais" já não tinha saúde e voltou à Europa senil, sem se lembrar de ter algum dia estado no Brasil. :-(

Deixe uma resposta

Seu e-mail não será publicado.

Você pode usar estas tags e atributos HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>