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abr
23

Atenção às terras raras

O jornal O Globo de hoje (23) publicou um artigo opinativo da deputada Teresa Surita sobre terras-raras, grupo de 17 minérios essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como iPhone e tablets. A parlamentar tem trabalhado na elaboração de um estudo encabeçado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados sobre o assunto. O objetivo é identificar alternativas para incentivar a exploração destes minerais.

Vale a pena ler!

Atenção às terras raras

Teresa Surita

No estágio em que se encontra a indústria mundial, os óxidos e as ligas de terras-raras são indispensáveis à fabricação de bens estratégicos. A recente disputa instaurada no âmbito da Organização Mundial do Comércio pelos Estados Unidos, Comunidade Européia e Japão contra a China em torno dos terras-raras desnuda uma realidade à qual não se pode fugir: inexistem, hoje, outros produtos minerais capazes de substituir os terras-raras.

As grandes potências despertaram tardiamente para um fato perturbador: a China detém o monopólio dos terras-raras necessários para construir satélites, caças supersônicos e sistemas de comunicação. A indústria de ponta do planeta está nas mãos da China, que produz 90% das ligas metálicas com terras-raras.

Beneficiada pela abundância de terras-raras que caracteriza a geologia de seu território, a China implantou uma cadeia produtiva, lastreada em preço e quantidade, que motivou centros produtores como os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália a interromper o processamento dos elementos contidos, acima de tudo, nos minerais dos grupos da bastnaesita, da monazita, das argilas iônicas e do xenotímio.

O Brasil chegou a produzir óxido de lantânio a partir da monazita. Na contra-mão da China, o Estado brasileiro não compreendeu que os bens fabricados a partir dos terras-raras seriam indispensáveis, inclusive por dinamizarem a balança comercial. Não se elaborou, então, uma política para o setor.

No dia 13 de abril, o Serviço Geológico do Brasil deu início a uma avaliação do potencial de terras-raras no Brasil. Essa tarefa se estenderá até 2014 e, em um primeiro estágio, implicará o levantamento de terras-raras em três províncias minerais localizadas em Roraima e no Amazonas.

Esse estudo não pode, contudo, encerrar-se em si mesmo. Deve ser encarado como um movimento no sentido de obter informações precisas que possibilitem o planejamento de uma cadeia produtiva de óxidos e ligas de terras-raras no país. É indispensável ter em mente a necessidade de se criar um pólo de desenvolvimento tecnológico dedicado ao assunto, semelhante ao do setor petrolífero, um modelo paradigmático.

A consciência de que dominar o ciclo produtivo dos elementos de terras-raras exigirá determinação política e disciplina programática levou o Conselho de Altos Estudos da Câmara dos Deputados a aprovar minha proposta para realizar um amplo estudo sobre terras-raras e minerais estratégicos, com vistas a sinalizar para o Poder Executivo a necessidade de o Brasil conquistar autonomia no setor.

O que se quer é ter clareza sobre o que é necessário para o país colocar-se em situação privilegiada quanto à disponibilidade de elementos de terras-raras, dominar a tecnologia de separação e processamento e dar condições ao parque industrial de desenvolver a cadeia produtiva dos minerais mais estratégicos.

Afinal, se o Brasil pretende materializar sua plena potencialidade, é indispensável não negligenciar o uso dos recursos naturais estratégicos disponíveis em nosso território, criar fortes linhas de pesquisa e desenvolvimento das tecnologias de extração e processamento, bem como fomentar a constituição de empresas nacionais que permitam perenizar em nosso país o conhecimento e a estrutura industrial.

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6 comentários

  1. NILO MAIA DE FREITAS JUNIOR disse:

    Ouvi comentarios que o custo para separar os minerios é muito alto.

    1. Teresa Surita disse:

      Nilo, é sim.

      Isso porque, de forma geral, é preciso minerar uma grande quantidade de outros minérios para separar os elementos de terras raras. Sua concentração é baixa. No entanto, alguns deles possuem alto valor agregado e, principalmente, possuem valor estratégico elevado, o que faz a equação custo-benefício ser outra. Por isso, é preciso elaborar e colocar em prática uma política nacional de longo prazo para esses minérios, que inclui além de mineração, separação e processamento, a pesquisa de novos usos, coisa que garante maior viabilidade econômica e estratégica no futuro.

      Obrigado por teu comentário!

      Teresa Surita

  2. luiz fernando teixeira de macedo disse:

    Cara Deputada Teresa,

    Li com muito interesse e satisfação sua materia de hj no O Globo. Seguem abaixo comentarios sobre o assunto.

    No Brasil, a empresa autorizada a processar as areias monaziticas, era a Nuclemon Mineroquímica Ltda, uma subsidiária da INB ex- Nuclebrás, localizada em São Paulo.

    Fui eu o ultimo Diretor Superintendente daquela empresa cujo fechamento das unidades industriais, por minha decisão, ocorreu em 1993, 3 anos após o início da minha gestão.

    A cada ano que passa mais me orgulho do acerto da minha decisão.Pelas seguintes razões:

    Empresa deteriorada, com arcaico processo de produção
    Geradora de resíduos radiativos sem tecnologia de tratamento adequado
    Fabricação de produtos de baixíssimo valor agregado
    Preservação das nossas reservas de material raro e estratégico

    Nesse mesmo período e em paralelo ao fechamento definitivo das unidades obsoletas, foi desenvolvida nova tecnologia de produção de Óxidos de Terras Raras com elevados graus de pureza, colocando o Brasil num seleto grupo de 5 ou 6 países detentores dessa tecnologia.

    Tudo isso feito com cientistas da casa e do IEN. Montamos uma Usina de Demonstração em Buena- São João da Barra, junto às jazidas em instalações já existentes. Tal instalação, semi industrial, serviu para comprovação da Tecnologia.

    Foram utilizados estoques de Cloretos já produzidos, cuja comercialização determinei que fosse suspensa (até então o Cloreto era exportado para o Japão que o transformava em óxidos de terras raras, obtendo ganhos extraordinários, sem o ônus de guardar rejeitos gerados no processo de produção dos Cloretos).

    A Nuclemon foi extinta e suas atividades , atualmente quase todas desativadas, foram absorvidas pela INB.

    Sobre o assunto, a TV Globo fez um Globo Ciência com a minha participação e tb diversas revistas especializadas, além da extinta Gazeta Mercantil, trataram com destaque o assunto .

    Atualmente sou dirigente de uma Fundação Museu aqui no RJ e fico à sua disposicão para falarmos mais sobre o assunto.

    Atenciosamente

    Luiz Fernando

    1. Teresa Surita disse:

      Luiz Fernando,

      obrigado pelo teu comentário e pelo importante histórico. O CAEAT estudará esse assunto durante o ano e é essencial ter em mente que o país precisa desenvolver e sustentar tecnologia nessa área. Para isso, precisamos ter atenção às experiências havidas e boas práticas. Coloco meu e-mail dep.teresasurita@camara.gov.br à disposição para novos contatos.

      Abraço!
      Teresa Surita

  3. Tatiana disse:

    Sou advogada e Consultora Jurídica e gostaria de enfatizar que desenvolvi um trabalho acerca da necessidade de uma compreensão clara e efetiva das inúmeras legislações e regulamentações acerca do tema para a perfeita compreensão do cenário sócio-ambiental envolvido.a legislaçào Minerária constitui um microssistema jurídico que evidencia uma série de normas esparsas.
    Presto assessoria jurídica a uma Empresa Mineradora e tenho bastante interesse sobre o tema versado.

    Atenciosamente,

    Tatiana Litwinski

    1. Equipe Blog disse:

      Obrigada pelo comentário, Tatiana!

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